Pará é o quarto em câncer de pênis
18 de maio de 2008 por mellovinicius
Diagnóstico
Desinformação e pobreza ajudam a disseminar a doença no Estado
A pobreza continua sendo o principal vetor pelo alto índice de registros de câncer de pênis entre os homens paraenses. A falta de condições básicas a saúde pública e a desinformação fazem com que o Pará ostente uma das maiores marcas do planeta em números de novos casos. A incidência bruta da doença no Estado é de cerca de seis homens para cada cem mil habitantes/ano. Só é superado pela cidade de Recife (6,8/100.000), o leste do continente africano (6,6/100.000) e a Jamaica (6,4/100.000). É o que revela o Estudo Epidemiológico do Câncer de Pênis, feito pela Divisão de Urologia do Hospital Ofir Loyola, em Belém.
Os números provocam preocupação, uma vez que a doença é totalmente evitável. O principal fator de risco é a falta de higienização do pênis. ‘O grande problema do câncer de pênis é a cultura e a falta de informação. É o indivíduo que não sabe lavar o pênis, que não o higieniza com água e sabão. Além daqueles que tem fimose, não operam e passam a vida inteira sem higienizar o pênis. Lá pelos cinqüenta, sessenta anos aparece o câncer’, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Urologia, José Carlos Almeida.
Para Almeida é necessário uma forte política de atenção a saúde do homem para erradicar o câncer de pênis do País. Ele enfoca que a grande dificuldade é atender a população das regiões Norte e Nordeste do Brasil, mais carentes de uma medicina eficiente. ‘São regiões desassistidas, com grande dificuldade de permear informações, orientações de como lavar o pênis e operar no caso de fimose’, ressalta o presidente.
Coordenador do estudo, o médico Aluízio da Fonseca – urologista do Hospital do Câncer em Belém – aponta o perfil do paciente paraense do câncer de pênis. Grande parte deles vive no nordeste do Estado, tem uma idade média de 55 anos e 75,5% pertence a uma classe socioeconômica baixa, definida pelo médico de classe E. Na maioria são agricultores, pescadores e trabalhadores braçais da construção civil. ‘Eles possuem um grau de instrução muito baixo e o resultado dessa falta de informação, entre os homens nessa região, resulta muitas vezes em amputação do órgão’, afirma. Dados divulgados pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), no ano de 2007, informam que 840 casos de amputação foram registrados no país, destes 61 casos aparecem na região Norte.
A demora do paciente em procurar ajuda nos hospitais contribui para a amputação do órgão masculino. De acordo com o estudo realizado, o homem demora 11 meses para procurar atendimento médico, depois do aparecimento do ferimento no pênis, o que acarreta a mutilação. E muito dessa demora ocorre pelo fator do machismo é que afirma o coordenador do Estudo Epidemiológico da Sociedade Brasileira de Urologia sobre câncer de próstata, Aguinaldo Nardi. ‘Principalmente nas regiões Norte e Nordeste o preconceito é muito presente. Se o Brasil se resumisse a essas duas regiões, o País com certeza seria o campeão mundial de câncer de pênis’, enfoca.
A dificuldade do homem afetado para lidar com essa situação ainda acarreta ao paciente muito mais que a mutilação física, mas como a emocional também, visto que a vida sexual do homem torna-se praticamente nula. Além do machismo impregnado na sociedade, o câncer de pênis é uma doença ainda pouco discutida entre a população masculina. Visando este desconhecimento, o Ministério da Saúde e lideranças urológicas estão preparando um conjunto de medidas para a formatação de uma política exclusiva para a saúde do homem. Além da prevenção do câncer de pênis, também vão enfocar atenção aos tumores de próstata. Prevista para ser lançado no dia 10 de agosto, dia dos pais, o programa deverá englobar campanhas periódicas de educação continuada, oferta de urologistas em regiões remotas, construção de centros de saúde e aumento da assistência básica.
Gostar disso:
Seja o primeiro a gostar disso post.
Publicado em SAÚDE | Deixe um comentário
Deixe uma resposta