Hoje pela manhã, fui com uma amiga a uma delegacia para fazer um boletim de ocorrência devido à perda de sua carteira de identidade.
Ao chegarmos lá, havia uma quantidade de pessoas relativamente grande. Enquanto esperávamos a nossa vez, puxei conversa com uma senhora de mais ou menos 36 anos, estava também esperando sua vez.
Perguntei o motivo que levou ela estar alí e ela respondeu: (vou tentar reproduzir o mais fielmente possível o que ela disse)
“Ah, moço! Fui mais uma vítima de violência desta cidade! Ontem, por volta das 16:00hs sofri um seqüestro relâmpago.
Três homens armados pararam meu carro e entraram. Dois ficaram no banco de trás e o outro, que eu acho que era o chefe do bando, sentou no banco do ‘carona’, colocou a arma no meu estômago e mandou eu dirigir enquanto os que estavam atrás faziam a ‘revista’.
Esses que estavam atrás eram bastante agressivos, porém, o que estava ao meu lado era bem mais maleável e depois de um certo tempo começamos a conversar e ele disse:-
“Eu tenho 28 anos e fazia muito tempo que não assaltava, mas a senhora ‘tava’ no lugar errado e na hora errada, infelizmente eu ‘tô’ tendo que fazer isso com a senhora porque eu preciso de cem reais ‘pra’ comprar um remédio pra minha filha de dois anos.
Ela ‘tá’ muito doente e eu ‘tô’ a mais de um ano procurando emprego. Eu até que sei fazer algumas coisas viu senhora, mas ninguém quer me dá emprego porque eu já tenho passagem pela polícia e por isso eu acho que eles tem medo de mim.
Mas dona, não pensa que eu gosto de fazer isso que eu ‘tô’ fazendo, mas não posso deixar minha filha morrer e eu não fazer nada.”
- Eu preferi não falar nada, ele tirou o som do meu carro, pegou dinheiro que tinha dentro do porta-luvas e colocou tudo na minha bolsa, mandou eu parar e saiu do carro junto com os outros dois e foram embora no sentido contrário ao meu.
Eu ‘tô’ aqui só pra registrar ocorrência devido aos meus documentos, não vou registrar nada contra aquele pai de família e os ajudantes dele, acho que a necessidade falou mais forte pra ele fazer aquilo. -
Quando fui tentar prolongar a conversa ela foi chamada pelo escrivão para fazer seu boletim de ocorrência…
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Diferentemente dos outros textos, não vou expor opinião nem tecer nenhum tipo de comentário… esse fica pra vocês refletirem.
Por: Vinicius Mello.